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Com mais de 5 mil cirurgias no SUS, neurocirurgião Giovani Mendes defende carreira pública nacional para médicos
Saúde
Com uma trajetória consolidada de 28 anos na medicina, o neurocirurgião Dr. Giovani Mendes Ferreira defende a criação de uma carreira pública nacional para médicos como alternativa para reduzir a desigualdade na distribuição de profissionais da saúde em todo o país. A proposta deverá ser apresentada como projeto de lei caso confirme sua pré-candidatura a deputado federal.
Reconhecido pela atuação em neurocirurgia vascular e pediátrica, Dr. Giovani acumula números expressivos na saúde pública. Ao longo de sua carreira, realizou mais de 5 mil cirurgias na rede pública de Cuiabá, principalmente nos hospitais São Benedito e Hospital Municipal de Cuiabá (HMC). Também contabiliza cerca de 35 mil consultas e mais de 21 mil atendimentos clínico-hospitalares, tornando-se uma das principais referências da especialidade em Mato Grosso.
Segundo o médico, o Brasil enfrenta um problema histórico de concentração de profissionais nos grandes centros urbanos, deixando municípios menores e regiões mais distantes com dificuldades para garantir atendimento médico, especialmente em áreas especializadas.
“O objetivo é criar uma carreira estruturada para médicos, semelhante às carreiras de Estado, como magistrados, promotores de Justiça e delegados. Dessa forma, o país poderá distribuir melhor seus profissionais e garantir atendimento à população em todas as regiões”, defende.
- Modelo semelhante às carreiras de Estado
A proposta prevê que os médicos ingressem no serviço público por meio de um concurso público nacional, sendo inicialmente lotados em municípios definidos conforme a necessidade da administração pública.
Os candidatos aprovados com melhor classificação teriam prioridade na escolha das vagas disponíveis. Com o desenvolvimento da carreira, os profissionais poderiam solicitar remoções e transferências para outras cidades, seguindo critérios semelhantes aos já adotados em outras carreiras públicas.
Para Dr. Giovani, o modelo garantiria maior estabilidade profissional, valorização da carreira médica e permitiria ao Estado brasileiro planejar de forma mais eficiente a distribuição dos especialistas.
Em Mato Grosso, a necessidade desse tipo de política pública é evidente. Enquanto Cuiabá e Várzea Grande concentram grande parte dos médicos do estado, diversos municípios do interior enfrentam dificuldades para manter equipes completas e oferecer atendimento especializado à população.
- Carreira construída na assistência, ensino e pesquisa
Formado em Medicina em 1997 pela Universidade de Vassouras (RJ), Dr. Giovani concluiu residência médica em Neurocirurgia em 2001, no Hospital da Baleia, em Belo Horizonte (MG), e possui Título de Especialista concedido pela Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN/AMB).
Ao longo da carreira, especializou-se em neurocirurgia pediátrica, realizou pós-graduação internacional pela Latin American Course in Pediatric Neurosurgery (FLANC/WFNS/SBN) e tornou-se referência nacional na área.
Também atuou como professor de Neurocirurgia no curso de Medicina do Centro Universitário UNIVAG entre 2016 e 2020, além de exercer funções de liderança em importantes instituições médicas.
Foi chefe do Serviço de Neurocirurgia, Neurologia e Neuropediatria do Hospital Regional de Betim (MG), neurocirurgião do Hospital João XXIII, em Belo Horizonte, e atualmente é chefe do Serviço de Neurocirurgia do Hospital Municipal de Cuiabá.
Dr. Giovani presidiu a Sociedade de Neurocirurgia do Estado de Mato Grosso nos biênios 2015-2016 e 2024-2025, além de integrar diversas comissões da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia, incluindo a Comissão de Credenciamento e a Comissão do Título de Especialista.
Também é membro da Câmara Técnica de Neurocirurgia do Conselho Federal de Medicina, do Conselho Social e da Câmara Técnica em Neurocirurgia da Unimed Cuiabá e da International Society for Pediatric Neurosurgery.
- Referência nacional
Autor e coautor de artigos científicos e capítulos de livros na área de Neurocirurgia, Dr. Giovani também participa como palestrante em congressos nacionais e internacionais.
Para o especialista, a evolução da neurocirurgia em Mato Grosso é resultado de planejamento técnico aliado ao compromisso com a assistência aos pacientes.
“A neurocirurgia exige uma precisão que não admite lacunas. Ao longo dessas duas décadas e meia, buscamos protagonismo na implementação de protocolos e tecnologias que definem o estado da arte em nossa especialidade”, afirma.
Agora, o médico pretende ampliar sua atuação para além dos centros cirúrgicos, levando ao debate nacional uma proposta que, segundo ele, busca fortalecer a saúde pública e garantir maior acesso da população aos serviços médicos em todas as regiões do Brasil.
Saúde
Quando a Vida Vira Apenas Sobreviver
A pessoa acorda, trabalha, resolve problemas, sorri quando necessário, conversa, organiza a casa, paga contas e continua funcionando normalmente diante de todos. Quem olha de fora dificilmente percebe. Afinal, ela está “dando conta”.
Mas por dentro… já não existe presença. Apenas sobrevivência.
A vida adulta, para muitas pessoas, deixou de ser viver para se tornar sustentar estruturas. Estruturas emocionais, financeiras, familiares e sociais. Somos ensinados desde cedo que ser forte é aguentar tudo calado. Então aprendemos a suportar.
Suportamos o excesso de responsabilidade.
Suportamos a falta de reconhecimento.
Suportamos relações desequilibradas.
Suportamos o peso de cuidar de todos enquanto ninguém percebe quem está cansado.
E, aos poucos, algo dentro da gente começa a se apagar.
O mais assustador sobre o vazio emocional é que ele não chega fazendo barulho. Ele chega silenciosamente. Primeiro a pessoa para de sentir alegria verdadeira. Depois perde o interesse pelas próprias vontades. Em seguida, começa a viver no automático.
Ela sorri, mas não sente felicidade.
Descansa, mas não se recupera.
Conquista coisas, mas continua vazia.
Muitas mulheres vivem exatamente assim.
Trabalham fora, cuidam da casa, administram problemas, sustentam emocionalmente a família inteira e ainda carregam a culpa de desejar descanso. Quando tentam cuidar de si mesmas, são chamadas de exageradas, gastadeiras ou egoístas. Como se existir além da obrigação fosse um privilégio e não um direito.
A verdade é que ninguém nasceu para viver apenas servindo.
Nenhum ser humano permanece emocionalmente inteiro vivendo anos sem acolhimento, parceria, leveza ou reconhecimento. Uma alma cansada continua funcionando por muito tempo, mas deixa de florescer.
E talvez seja por isso que tantas pessoas hoje não se sentem tristes exatamente. Sentem-se vazias.
Não porque sejam fracas.
Mas porque passaram tempo demais sobrevivendo.
Ainda assim, existe esperança em reconhecer isso.
Porque o primeiro passo para voltar a viver é admitir que alguma coisa dentro da gente precisa de cuidado. É entender que descanso não é preguiça. Que querer paz não é egoísmo. Que desejar ser amado, ouvido e valorizado não é carência — é necessidade humana.
Talvez a cura não aconteça de uma vez. Talvez ela comece devagar, em pequenos movimentos:
em uma conversa honesta,
em um limite imposto,
em um momento de silêncio,
em um pedido de ajuda,
ou simplesmente na decisão de não abandonar mais a si mesmo.
No fim, sobreviver não pode ser o destino final de ninguém.
Todos merecem mais do que apenas existir.
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