COLAPSO
Profissionais denunciam falta de condições de trabalho para atender a população de Várzea Grande
Várzea Grande
Seguindo na contra mão da realidade financeira, hoje o sistema municipal de saúde de Várzea Grande está à beira de um colapso, com denúncias de irregularidades em vários setores, a falta de medicamentos básicos, pelo que tudo indica virou cotidiano, agora, para complicar ainda mais a situação, profissionais estão prestes a declarar greve geral, devido os constantes salários atrasados.
Na última semana, ao visitar o Pronto Socorro do município, em uma conserva com um médico que pediu para não ter sua identidade revelada, temendo represália, chegou a informação de que os atrasos salariais estão sendo frequentes, e quando sai algum pagamento, é parcelado, e como isso virou rotina, e os profissionais da saúde precisam sobreviver e cumprir com seus compromissos, decidiram levar essas condições de trabalho aos seus sindicatos, para que as manifestações repudiando esse tipo de gestão, como também, cobrando os salários em dia, sejam realizadas dentro dos parâmetros legais.
Indignados com as condições de trabalho, os servidores não conseguem enxergar outra alternativa, que não seja a manifestação, com objetivo de paralização, greve geral. Para os profissionais da saúde, é inadmissível sem ter o básico exigido na execução diária das ações na saúde.
“Além dos salários em dia, estamos reivindicando melhores condições de trabalho, para atender a população, como vamos fazer um curativo, se tem dia que falta gaze e esparadrapo? Receitar uma medicação, e o remédio, onde tem? Sem falar de equipamentos, estragados ou em manutenção, falar que a saúde de Várzea Grande está bem, é viver de sonhos em uma realidade de pesadelos, o povo está sofrendo e precisa de mudanças já, com urgência, o sistema de saúde está literalmente na UTI”, disse um médico que pediu para manter sua identidade em sigilo.
Em busca de mais informações, a equipe de reportagem tentou falar com outros profissionais, mas o silêncio imperava, foi quebrado poucas vezes e por pessoas que pediram para não serem identificadas.
Nos últimos dias, o governador Otaviano Pivetta esteve na cidade, anunciando a construção do novo Pronto Socorro Municipal, uma obra atualizada para atender as necessidades dos moradores, de princípio serão R$ 200 milhões investidos na construção do novo prédio, mais uma ação louvável do governo do estado, mas, para a infraestrutura funcionar, são necessários profissionais qualificados, aptos, bem remunerados, com condições para exercer suas funções.
A equipe de reportagem entrou em contato com a Secretaria Municipal de Comunicação, que emitiu a seguinte nota :
NOTA – A Secretaria Municipal de Saúde de Várzea Grande informa que não há servidores sem recebimento de salário. O que ocorre são alguns casos pontuais relacionados ao pagamento de verbas complementares, como horas extras, Prêmio Incentivo e BRIPE.
A situação decorreu da falta de informações encaminhadas, dentro do prazo necessário, pelas unidades onde esses profissionais estão lotados.
A Secretaria ressalta que o setor de Recursos Humanos (RH) já realizou o levantamento dos médicos e demais profissionais que ainda possuem pendências relacionadas às verbas complementares. A relação dos servidores foi concluída e encaminhada aos setores competentes para o prosseguimento dos trâmites administrativos e efetivação dos pagamentos.
Em relação ao abastecimento de medicamentos e insumos, a Secretaria Municipal de Saúde informa que os desabastecimentos pontuais estão sendo supridos por meio de parcerias junto ao Consórcio Intermunicipal de Saúde Vale do Rio Cuiabá (CISVARC) e à Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso (SES-MT). Entre os itens já atendidos estão o Omeprazol injetável, a Cefazolina injetável (antibiótico) e luvas de procedimento tamanho G.
A Secretaria informa ainda que, por meio do CISVARC, realizou a compra de soro fisiológico. Outras medicações que apresentam falta momentânea também estão sendo adquiridas via Consórcio, de forma ágil e econômica para o município.
A Secretaria explica que o desabastecimento pontual decorre de duas situações. No caso do soro fisiológico, a empresa responsável pela entrega suspendeu o fornecimento, ocasionando o desequilíbrio no estoque. Já em relação a outros medicamentos da Atenção Básica, empresas vencedoras de processos licitatórios solicitaram desistência contratual. Diante disso, a Administração Pública deve cumprir o trâmite legal de desclassificação dessas empresas para, posteriormente, convocar os próximos fornecedores e restabelecer o abastecimento das unidades de saúde do município.
NOTA DE ESCLARECIMENTO
O Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT) informa que não foi notificado formalmente acerca de eventual paralisação das atividades por parte de médicos no município de Várzea Grande.
A REDAÇÃO PERMANECE ABERTA A NOVAS MANIFESTAÇÕES E INFORMAÇÕES!
Várzea Grande
Documento de 2019 enfraquece críticas de Caio Cordeiro sobre expediente da Câmara
Nota oficial afirma que horário não foi criado pela atual gestão e que regulamentação ainda ampliou o funcionamento interno dos gabinetes.
As críticas feitas pelo vereador Caio Cordeiro ao horário de funcionamento da Câmara Municipal de Várzea Grande colocaram em debate uma questão que, segundo documentos oficiais da própria Casa, não sofreu alteração na atual gestão.
Em nota de esclarecimento, a Câmara informou que o expediente das 7h às 13h está previsto na Portaria nº 57/2019, publicada há mais de seis anos. A normativa foi editada antes da atual Mesa Diretora e continua em vigor, sem mudanças em relação ao horário oficial de funcionamento e atendimento ao público.
Diante desse cenário, as declarações do parlamentar entram em conflito com a documentação oficial da própria Câmara. O debate, portanto, deixa de ser sobre uma suposta criação da atual gestão e passa a girar em torno da manutenção de uma norma administrativa que já existia desde 2019.
Embora o horário oficial tenha sido mantido, a regulamentação atualmente aplicada ampliou o funcionamento interno da Câmara. Conforme a própria instituição, a Portaria nº 57/2019 estabelecia apenas o expediente das 7h às 13h, sem prever o funcionamento dos gabinetes no período vespertino. A regulamentação em vigor passou a permitir que os vereadores utilizem seus gabinetes das 13h às 17h para atividades internas, sob a responsabilidade de cada parlamentar. Na avaliação da Mesa Diretora, a medida representa uma ampliação das atividades internas, sem alterar o horário oficial de atendimento ao público.
Segundo fontes ouvidas pela reportagem, o vereador Caio Cordeiro costumava realizar atendimentos em seu gabinete até por volta das 21h. No entanto, a manutenção desse modelo de funcionamento é considerada inviável pela administração da Casa diante da estrutura atualmente disponível. A sede da Câmara possui mais de 4.700 metros quadrados de área construída, distribuídos em cinco blocos, e exige equipes de controle de acesso, segurança e apoio administrativo durante todo o período de funcionamento.
A justificativa apresentada pela Câmara é de que o horário regulamentado busca garantir a segurança e a integridade física de vereadores, servidores, visitantes e do patrimônio público, além de compatibilizar o funcionamento da instituição com o efetivo disponível para o controle de acesso e vigilância das dependências.
A Câmara sustenta ainda que a Portaria nº 57/2019 foi elaborada considerando aspectos relacionados à segurança institucional, ao controle de acesso e às características da sede do Legislativo. Entre os fatores apontados estão a dimensão do prédio, o número reduzido de servidores responsáveis pelo controle de entrada, o efetivo disponível da Guarda Municipal e a necessidade de reforçar a proteção das instalações.
Com isso, o foco da discussão passa a ser se a Portaria nº 57/2019 deve ou não ser alterada. Os documentos oficiais indicam que o horário criticado pelo vereador não foi instituído pela atual Mesa Diretora. Ao mesmo tempo, a Câmara sustenta que a regulamentação vigente ampliou o funcionamento interno dos gabinetes no período da tarde, algo que não estava previsto na norma original de 2019.
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