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Economia

Além do salário, médicos priorizam ambiente de trabalho

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A remuneração continua sendo um fator importante na decisão de carreira dos médicos, mas deixou de ser o único elemento considerado na escolha de uma oportunidade profissional. Aspectos como autonomia, condições de trabalho, desenvolvimento de carreira e estrutura oferecida pelas instituições vêm ganhando espaço na avaliação dos profissionais.

Segundo Rafael Duarte, CEO e fundador do Grupo RD Medicine, instituição especializada na preparação de médicos para as provas americanas de validação profissional (USMLE), essa mudança reflete uma transformação na forma como a profissão é exercida. “O médico não avalia apenas o valor da proposta. Hoje, ele também considera como será sua rotina de trabalho, qual será sua autonomia e se aquele ambiente permitirá crescimento profissional no longo prazo”, afirma.

O cenário acompanha mudanças observadas no mercado de trabalho médico. Um estudo aponta que a rotatividade da força de trabalho médica no Brasil supera 36,7%, índice considerado elevado para uma profissão tradicionalmente associada à estabilidade. Os dados indicam que a decisão de permanecer ou deixar uma instituição envolve fatores que vão além da remuneração.

Nas últimas décadas, o aumento da renda costumava estar diretamente relacionado ao número de plantões e procedimentos realizados. Atualmente, porém, médicos também analisam aspectos como qualidade da gestão, disponibilidade de recursos, organização dos serviços e condições para exercer a prática clínica.

“O foco deixou de ser apenas quanto se ganha e passou a incluir como se trabalha. Estrutura e organização deixaram de ser diferenciais e passaram a ser requisitos para muitos profissionais”, explica Duarte.

A importância desses fatores também aparece em outra pesquisa, que associa falhas de gestão, ausência de recursos, sobrecarga de trabalho e problemas nas relações profissionais aos níveis de insatisfação entre trabalhadores da saúde.

Ao mesmo tempo, mudanças recentes no sistema de saúde reforçam esse cenário. O relatório Doximity Physician Compensation Report 2025 mostra aumento médio de 3,7% na remuneração médica entre 2023 e 2024. Apesar disso, o estudo aponta que muitos profissionais relatam maior pressão decorrente de cortes de reembolso, aumento de custos e ampliação da carga de trabalho.

Na avaliação de Duarte, esses fatores têm alterado os critérios utilizados pelos médicos na escolha de uma instituição. “Quando não existem perspectivas de desenvolvimento, reconhecimento ou boas condições para exercer a profissão, aumentos salariais acabam funcionando apenas como soluções temporárias para problemas estruturais”.

Outro aspecto destacado pelo executivo é a relação entre desenvolvimento profissional e retenção de talentos. Segundo ele, ambientes que investem em formação continuada e evolução técnica tendem a fortalecer o vínculo entre médicos e instituições.

“Quando o profissional percebe que a instituição investe na sua trajetória, ele deixa de enxergar aquele local apenas como um emprego e passa a vê-lo como um espaço para construir sua carreira”, acrescenta.

Para Duarte, a disputa por médicos qualificados tende a ser cada vez mais influenciada pela qualidade do ambiente de trabalho.

“As instituições que conseguirem oferecer estrutura, organização e oportunidades de desenvolvimento estarão mais preparadas para atrair e reter profissionais. A remuneração continua importante, mas já não explica sozinha as decisões de carreira dos médicos”, finaliza.



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Número de acidentes com a rede elétrica cresceu no Brasil em 2025

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O número de acidentes com a rede elétrica aumentou de 685 casos, em 2024, para 703, em 2025, segundo balanço divulgado nesta terça-feira (7) pela Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee).

Apesar do aumento das ocorrências, a associação constatou menos óbitos causados por esses incidentes : foram 257 casos em 2024 e 252 no ano passado.

De acordo com a pesquisa, a construção civil é a atividade em que ocorrem mais acidentes no país . Em 2025, foram 227 incidentes relacionados a obras, reformas e serviços de manutenção predial, que resultaram em 68 mortes.

A diretora de Comunicação e Sustentabilidade da Abradee, Cristina Garambone, chamou a atenção para a importância dos cuidados da população em relação à rede elétrica “porque, por atrás de cada acidente, há a vida de uma pessoa e uma família impactada”.

“O que a gente percebe é que, muitas vezes, os acidentes com mortes ocorrem em momentos de distração ou quando a pessoa acha que está dando um jeitinho. Por exemplo, algumas obras informais ou mesmo dentro de casa”, indicou Cristina Garambone, em entrevista à Agência Brasil .

A Abradee recomenda que somente profissionais devem realizar trabalhos na rede elétrica.

Lesões graves

Cristina ponderou que, embora o número de mortes tenha reduzido em 2025, ocorreram 241 lesões graves, incluindo mutilações . Outras 210 vítimas apresentaram lesões leves.

“A gente quer aumentar a consciência e diminuir esses números. A gente só vai ficar satisfeito quando tiver zero acidente”.

A pesquisa destaca também o crescimento dos acidentes relacionados à operação de equipamentos perto da rede elétrica, entre os quais máquinas agrícolas e guindastes. Em 2025, foram 66 registros, quase o dobro do observado no ano anterior.

Outra questão grave, conforme informou a diretora, são as ligações clandestinas, conhecidas em alguns estados como “gatos” ou “macacos”. Estão relacionadas a essas ligações 30 ocorrências, com 15 mortes.

Números regionais

A Região Sudeste foi a que mais concentrou acidentes no país em 2025, com 243 ocorrências, 78 mortes, 91 casos de lesões graves e 74 lesões leves. Entre as principais causas de ocorrência na região estão os acidentes ligados à construção civil.

Veja abaixo os números por região:

Acidentes na rede elétrica em 2025. Fonte: Abradee
Região Acidentes Mortes Lesões graves Lesões leves
Sudeste 243 78 91 74
Nordeste 187 67 46 74
Norte 122 50 64 8
Sul 81 31 12 38
Centro-Oeste 70 26 28 16

Segundo a Abradee, no Norte, as ocorrências foram associadas principalmente a atividades próximas à rede elétrica e intervenções irregulares. No Sul, as atividades de construção e manutenção predial permanecem entre os principais fatores de risco observados. Já no Centro-Oeste, o destaque é para atividades realizadas próximas à rede elétrica, especialmente em obras e operações com equipamentos.

A diretora de Comunicação e Sustentabilidade da Abradee destacou ainda que segurança é uma responsabilidade coletiva.

“Tem a parte das distribuidoras, a das empresas, a dos profissionais envolvidos e a da própria população. Porque, para a gente zerar esse número, é preciso mudar uma cultura, tem que levar informação. Só com a adesão de toda a sociedade é que a gente vai conseguir reduzir esses números”.

Campanha

A Abradee realiza neste ano a 20ª Campanha Nacional de Segurança com a Rede Elétrica, promovida em conjunto com suas 42 distribuidoras associadas. O objetivo é conscientizar a população sobre situações de risco envolvendo a rede elétrica.

A campanha tem como tema “Energia liga. Segurança protege” e se estenderá até setembro. No próximo mês, a divulgação ganhará mais força com o Agosto Vermelho, que chama a atenção para os riscos ao se lidar com a rede elétrica.

A iniciativa mobiliza as 42 distribuidoras associadas à Abradee, responsáveis por levar energia a 99,8% da população brasileira e atender cerca de 212 milhões de clientes.



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